Por que o machismo é tão difícil de combater

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A resposta curta e simples é: atinge homens também. A resposta “completa” virá ao longo do post. Não, não estou querendo com esse texto dar uma desculpa esfarrapada para a falha desse que vos escreve em combater esse mal. Apenas dar uma visão o “lado de cá” da história, pois há opressão também entre os opressores.

O machismo é prevalente por que ele é ao mesmo tempo increvelmente escancarado e violento – como no caso de estupros e abusos contra mulheres e LGBTS – e sutil e sorrateiro, quando se insinua e molda comportamentos e conceitos de homens (e mulheres!) em formação. Quando o menino faz manha, tanto a mãe como o pai dizem “menino não chora”, “deixa de ser fresco”. Quando o menino já está maiorzinho e não demonstra interesse em futebol ou esportes coletivos, ou tem medo de se machucar, os pais ficam frustrados – não está sendo o “homem padrão” que a sociedade espera.

Se dentro de casa é isso que a criança recebe, é isso que ela vai reproduzir quando iniciar sua socialização com amigos na escola e na rua. Como bem sabemos, não somos todos iguais, uns são mais feios, outros mais bonitos, uns maiores, outros menores. Tão logo isso fique claro (o que não é difícil, coisa de segundos em qualquer grupo), rapidamente, o Macho Alfa surge para deixar bem definidos os papéis. Aqui manda o maior, o mais bonito tem “direito” a tudo e todas. Os fracos “seguem” (i.e. obedecem) os fortes, os feios se limitam a ser zoados para sempre e engolir o choro. Se contentam com as sobras.

Se “menino não chora”, e ele apanha na escola e chora, ele então não é menino? É o que? Se ele não gosta de futebol, como pai e tios, será que ele nunca vai ser homem como o pai? Vai ser o que, então? O que é essa coisa de ser homem? Complicado. Se certas coisas são esperadas de um menino para ser homem e muitas delas fogem do seu controle, como compensar? Sendo mais violento, talvez? Tratando mal as meninas? Ou simplesmente não fazer nada, se fechar em si, e sofrer calado a inadequação. Conversar com o pai, nem pensar!

Não é novidade pra ninguém que o machismo não está apenas em casa e nas escolas – e mesmo que se fosse só nesses dois, já seria problema o suficiente, dada a importância formativa dos mesmos. Está em todos os lugares, na mídia, nas empresas, na rua, na arte, etc. Ele é auto-reforçado a cada vez que aparece se não é imediatamente identificado pelo que é e combatido. Como assim?

Digamos que um homem, vamos chamar ele de Rui, acaba de entrar numa empresa nova, e está tentando se enturmar. O colocam num grupo de Whatsapp (vamos deixar o exemplo bem moderno), e logo começa a receber fotos e vídeos de putaria. Ele deveria falar algo? Que ele é contra esse tipo de coisa? Imagina o estigma. Vai ser taxado de viado logo de cara. “Ser taxado de viado”, inclusive, parece ser o cúmulo da desonra e já é em si uma forma insidiosa de como o machismo molda nossas percepções de gênero.

Pra facilitar o entrosamento Rui agradece e manda algumas outras putarias de volta. De repente um dia, ele recebe umas fotos que parecem ser de uma menina de 14 anos no máximo. Opa, aí já é demais! Fala algo? Não fala nada? O chefe dele foi quem mandou. E aí? Rui fica quieto. Em outro dia, recebe aquelas fotos que “vazaram” da estagiária do andar de cima, confirmando o perfil do facebook dela e tudo. Rui fica quieto, mas não repassa as fotos, não acha legal essas coisas.

Creio que a maioria acharia difícil imaginar que Rui figure entre grande maioria ou a minoria dos homens. Mas não é difícil imaginar que ele seja a média. E a média se cala. E quem cala, como mamãe ensinou, consente. E assim o machismo prospera. Ele prospera no silêncio.

Não repassar as fotos da estagiária é o mínimo. Se calar diante de demonstrações risíveis de machimo (como alguém sugerindo, por qualquer ângulo, que a culpa da estuprada é da roupa que ela usou) é aquém do mínimo, e infelizmente, muitos de nós nos encontramos nessa categoria – a categoria que não fala nada. E dessa forma, não há diálogo, o assunto sequer é discutido. É o elefante na sala. Precisamos falar sobre o elefante.

Me lembro de uma vez, eu estava em uma reunião com pessoas de diversas áreas da empresa, de todas as idades, homens e mulheres, umas 15 pessoas. Até que dado momento, um homem, na casa dos 60 anos, de linguajar meio xulo e comportamento um tanto ogro, começa a descrever um cenário do projeto em questão e solta a seguinte pérola “e quando a minha quenga acessar o sistema […]”. Ahn? Quenga? Todos ficaram calados. E uma mulher, que não consegui identificar, perguntou baixinho, pra si mesma (sem querer iniciar um enfrentamento): “quenga?” estupefata (como o resto de nós) por ele ter usado essa palavra. O constrangimento no ar era quase sólido. De repente ele continua “Ué, não pode falar quenga? Estou falando da minha mulher, é carinhoso, sempre a chamei assim.”. Outra pessoa quebra o gelo com outro assunto, a reunião continuou e o cara calou a boca por alguns minutos percebendo a idiotice, mas certamente saiu da reunião certo de estar cercado de moralistas afrescalhados. Imaginem a educação que esse cara dá pro filho. Imaginem essa mulher, que aceita ser chamada de “quenga”, o machismo que ela ajuda a propagar. E o silência que ficou naquela sala, o silêncio mais significativo que existe. É o silêncio que diz tudo.

Equação das Manifestações

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a-onda
Ao observar as Manifestações bastante maniqueístas ocorridas aqui no Brasil nos dias 13 e 18 de Março, a maneira mais fácil que encontrei para fazer um balanço de tudo, foi fingir ser de outro país. E principalmente, arregalar os olhos e tapar os ouvidos, e tentar ver o que estava na minha frente, sem ninguém tentando dizer no que eu deveria prestar atenção.

Porém, antes de dar meu parecer, é sempre bom lembrar que NÃO estou generalizando. É claro que havia uma diversidade de conteúdo em ambas marchas, porém em ambas também haviam maiorias predominando, e não há nenhum problema nisso.

A vergonha, é ter visto algumas pessoas terem usado de excessões pra se justificar, o que é lamentável e desonesto.

Pois bem: Logo de cara, quando usamos nossos olhos, as evidências são ÓBVIAS.
Parecia até que eram dois países diferentes, tamanhas as distinções.

A primeira de todas, era em relação ao tom de pele.
Novamente, vamos fingir por um instante que somos Alienígenas de pele Cinza, e não temos nenhum laço emocional com nenhum dos dois lados. Era clara a dominância de peles brancas no dia 13, e uma diversidade de cores no dia 18, vamos olhar as fotos.

Em segundo, a diversidade de cores de roupas e bandeiras.
No dia 13, havia uma unidade, literalmente tudo era verde e amarelo. Existia unidade, padrão, parecia literalmente um exército organizado.
Já no dia 18, apesar da dominância do vermelho, havia uma diversidade. Você não precisava se esforçar pra encontrar as outras cores. Sim, tinha bandeiras da CUT e do MST, mas também tinha bandeiras LGBT, do Brasil, de Movimentos Negros, Feministas, e de outros Movimentos.

E tudo isso acredito se explica no terceiro ponto: A receptividade de conteúdo e pauta.
No dia 13, a grande massa literalmente NÃO PERMITIU pautas diferentes do Impeachment/Corrupção, e quem levantava qualquer coisa diferente disso, era enxotado, às vezes até de maneira truculenta. Dos piores caso de agressão que aconteceram na paulista, o que mais me assustou foi o do sujeito que apanhou por PERGUNTAR quem assumia depois que a Dilma fosse impedida. Quando não pode existir questionamento, já não é mais política, é culto.

No dia 18, apesar de ser uma manifestação só, em termos de pauta ela começada dividida logo de cara. Existiam aqueles que estavam sim defendendo o governo Dilma, porém existia também, acredito que pelo menos uma metade, em defesa de democracia e legalidade de seus ritos.
Fora isso, existiam as mais diversas pautas. Movimento Negro, direitos LGBT, direitos das Mulheres, havia literalmente de tudo ali, muito bem recebidos.

Mas “tudo” NÃO foi o que recebeu cobertura. Existiu uma óbvia, inegável, indiscutível diferença de cobertura pela grande imprensa nos dois dias.
No dia 13 houve cobertura integral, em tempo real, entrevistas, e mais do que isso: Houve convocação, instruções, orientações.
No dia 18 não. A cobertura foi escassa, e as entrevistas mais ainda, acredito que em função do próximo ponto: A diferença de riqueza, profundidade, diversidade e relação emocional com o conteúdo.
Essa diferença torna INEGÁVEL que a imprensa tem interesses em jogo, tem um lado, e tem uma proposta.

A diferença de riqueza, profundidade, diversidade e relação emocional com o conteúdo:

No dia 13, a pauta das ruas Coincidia com a pauta da Imprensa. Era a pauta da derrubada da Presidenta, a qualquer custo e preço. O discurso era simples, curto e objetivo. E mais do que isso, o peso emocional era esmagador. A raiva era muito visível na linguagem tanto falada quanto corporal.

O discurso era em sua maioria SIM, de morte, linchamento e violência, não só contra a presidênte, mas contra a diversidade. Se você não era à favor, era imediatamente arremessado para o “outro lado”. Basta fazermos as contas de quantas sedes do PT foram depredadas, e quantas sedes do PSDB foram depredadas.

No dia 18, eu admito ter ficado surpreso. Por ter sido criado no coração da classe média, pra mim é muito difícil se livrar da impressão que pobre é ignorante. Quebrei a cara. Ao ver as entrevistas, a riqueza de palavras, questionamentos, ponderações, era novamente, em sua maioria, muito nítida. Ficou difícil acreditar que o dia 18 era a massa do segundo grau incompleto, e o dia 13 era o dos mestres e doutores. Parecia tudo invertido.

E mais do que isso, o pessoal do dia 18 evidentemente não queria a aniquilação, a destruição do outro lado. O apelo era por compreensão e ponderação.

A “Vibe” dos dois dias foi emblematicamente diferente.
O que não parece ser muito bom. Por que como pode, pessoas que moram na mesma cidade, usando as mesmas ruas, ter vidas tão diferentes a ponto de parecer que são dois países sobrepostos? Porém essas diferenças escancaram a realidade da desigualdade social.

E nesse ponto, eu tenho um posicionamento, com pleno espaço para discordância.
Como falei, eu nasci no coração da classe média, e já fui cercado de amigos brancos, educados e eloquentes. Hoje já não tenho mais nenhum desses. Porque onde tem ódio não tem espaço pra diálogo, apenas para simplificações grosseiras.

Então a primeira coisa, seria eliminar a raiva e abrir espaço pra racionalidade.
Estamos no século 21, e estamos longe de chegarmos a uma situação que precisa ser levada às últimas consequências. Apesar de situações graves, não estamos em um estado de emergência.

Apesar de para alguns ser “Bonito” ver essa unidade presente no dia 13, para outros é assustador. Essa falta de diversidade é algo que sim, leva ao facismo. Recomendo urgentemente a esses ex-colegas da direita, que sacrifiquem dois episódios de “House of Cards” para assistirem “A onda” (2008, tem no Netflix), e percebam os perigos do discurso reducionista.

É óbvio mesmo para quem está à esquerda, que o governo Dilma é indefensável!
Porém vocês precisam de uma proposta muito mais rica do que tirar a Presidenta e “ver no que dá”. Me desculpem a sinceridade, mas nesse sentido o Povão lá do PSTU está dando um pau nos senhores mestres e doutores. Eles tem propostas, tem um projeto de país, e não uma simples aposta. Isso é ser politizado. Novamente, assistam as entrevistas de rua, vejam a diferença na linguagem, na vibração, na riqueza.

E tenham em mente duas coisas:
A primeira, é que no dia 18 ocorreram DOIS protestos sobrepostos. Um em favor da Democracia, e outro em favor da Presidente, não importa o que a Globo diga.

E segundo, é que sim, o que aconteceu no dia 13 teve sim uma significância. Teve FORÇA.
Só que essa força não foi utilizada em favor daqueles que a disponibilizaram.
Se fosse feita a mesma coisa para qualquer outra causa, muito poderia se conseguir, sem nem precisar golpear a Democracia.
Imagine se esse pessoal todo de verde e amarelo tivesse ido pra pedir mais saúde, mais educação, mais justiça social. Marchar “contra a Dilma” ou “contra a Corrupção” não é um sinônimo que representa tudo isso.

É preciso entender: Metade do pessoal que foi às duas no dia 18, está tão insatisfeito quanto o o pessoal do dia 13. Muitas das reivindicações inclusive se coincidem. A grande diferença, é que o pessoal do dia 13 quer isso a qualquer custo, o pessoal do dia 18, não.

E qual o custo?

Mesmo em um governo RUIM como o da Dilma, ainda existe a democracia, e mesmo que as chances sejam pequenas, existe espaço para discussão e novas propostas.
Em um estado de excessão como o de intervenção militar, não existe espaço pra discussão alguma.

Entre o alguma chance e o nenhuma chance de mudança, me parece sensato ficar com o primeiro.

Por fim, quando a Democracia vai embora, ela não dá previsão de volta.
O discurso de 1964 foi -exatamente- o mesmo. Os militares tomaram o poder apenas pra “botar ordem na casa” e depois devolveriam o poder ao povo. O que ninguém antecipou, é que eram eles quem decidiam quando estaria “Em ordem”, por isso o episódio é lamentavelmente chamado de “O dia que durou 21 anos“…

Reivindicações e luta, sempre.
A qualquer custo, nunca.

Quando sua Opinião não vale Nada

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anedotaJá faz algum tempo que tenho evitado participar de reuniões de familia, de amigos dos meus pais, e de pais de meus amigos. Ao mesmo, também tenho evitado cada vez mais participar de discussões inflamadas em comentários de redes sociais, e minhas listas de contatos vão diminuindo cada vez mais.

Quando isso fica evidente, duas acusações vem logo em seguida:
A primeira, diz que estou me isolando.
A segunda, que sou uma pessoa intolerante, que não sabe conviver com opiniões diversificadas.

E em minha defesa, gostaria de dizer… que não tenho uma boa defesa.
Acabar mais isolado é uma triste consequência, e a diversidade de opiniões se reduz absurdamente quando você demanda um padrão. E nesse sentido não há como negar, muita gente, MUITA gente, mesmo os que se consideram superiores por ter diploma superior, não fazem idéia de como se deve correr um debate.

Para um debate de fato ocorrer, existe uma série de regras a serem seguidas e respeitadas, para que falácias não sejam cometidas e os argumentos sejam válidos.

Nessa hora, é que venho falar sobre a imagem da capa.
Tive o desprazer de topar com ela em diversas comunidades das quais faço parte, todas as vezes com centenas de comentários e discussões intermináveis, e não tem jeito gentil de dizer isso: Pra um bando de gente formada e metida a culta, estão todos dando vergonha.

Tudo virou apenas a “Minha anedota” contra a “Sua anedota” jogando no lixo tudo o era pra terem aprendido sobre como conduzir estudos e como defender suas teses. Reduz-se a questão a duas historinhas particulares pra competir entre elas, e quem gritar mais alto torna-se o dono da verdade.
Imaginem alguém que tem um trabalho de faculdade pra entregar, e na hora de fazer sua defesa, a pessoa vem com uma entrevista, um caso, uma amostra. Exatamente aquela que confirma a tese. Parece ridículo, mas é o que estão fazendo, o tempo todo.
É o tipo de competição que exceto se você for um ególatra, não se sente enrriquecido ao final do dia, apenas exausto.

Como deveria se dar um debate no mundo dos adultos?
Bom, existe uma lista de falácias lógicas as quais não se devem cometer, e a lista delas é fácil de encontrar.
O Espantalho, a Evidência Anedótica,  a Ladeira Escorregadia, todos conhecem.
O que não é muito falado, é o que um “bom” debate deve conter, talvez por aparentar ser meio óbvio. Um debate deve conter MUITA informação. E você não precisa reinventar a roda pra isso: Informação pode ser condensada e compactada através de estudos e estatísticas.

A idéia de um bom debate, é justamente evitar opiniões singulares!
Opiniões não dão conta de um mundo complexo como o nosso, não valem muito.
São amostras muito pequenas.

Algo deu muito errado em algum momento, e desenvolvemos essa super-valorização da “Opinião”, como se fosse um direito sagrado que deve ser respeitado por todos. Mas não é por aí.
Todo mundo tem direito à opinião? Sim.
Toda opinião vale alguma coisa? Não.
Algumas opiniões vale mais do que outras? Certamente.

Uma coisa, é você dizer que racismo não existe porque na sua empresa tem um cara negro que recebe igual todo mundo, ou que o filho dele não é vitimista e não quis se beneficiar com o sistema de cotas.
Outra coisa, é dizer que houve um Censo Realizado em 2010 pelo IBGE demonstrando que o rendimento médio recebido pelos brancos correspondem ao dobro dos pagos aos pretos, e que Ipea demonstrou que em Alagoas morrem 17 negros pra cada 1 pessoa de outra cor.

Contra dados, o únicos argumentos são mais dados.

É preciso entender que se uma opinião precisa exigir respeito, é porque provavelmente ela não se sustenta por ela mesma através da base lógica.

Parafraseando George Carlin… “Se você é tem a opinião que precisamos respeitar todas opiniões, então minha opinião é que não preciso respeitar sua opinião”.

Vamos começar a honrar o que temos entre as orelhas, pessoal.
Toda vez que formos escrever algo na internet, vamos fingir que é um TCC.
Defendam os argumentos com a apresentação dados.

Quanto às reuniões familiares… Bom, não tem lógica que possamos apresentar, por mais convincentes que sejam, pra pessoas que valorizam mais a intensidade de uma convicção, do que a lógica.

Então sinto muito, mas você começa ou termina alguma conversa com “Essa é minha opinião, respeite”, provavelmente ainda não tem maturidade para debater…

“Seja Homem”

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conan_throne

“Seja Homem!”

Parece ser uma terrível escolha de palavras para ser usada especialmente no que chamamos de Semana da Mulher.
Porém, é uma expressão identificável imagino eu, para todo Homem. Que moleque nunca ouviu essa expressão alguma vez na vida? “Seja homem.” E muitos indivíduos, pelo resto da vida, nunca refletem à respeito dessas duas palavras colocadas juntas.

Mas antes de refletirmos sobre o que significa ser homem, é preciso admitir. Ao recebermos ao acaso, o “privilégio” de sermos portadores do sexo masculino, existem experiências as quais nunca passaremos e sentiremos na pele sequer por alguns minutos, o que acaba nos tornando incapazes de protagonizar o importante movimento feminista.
Ainda sim, mesmo sem ser mulher é possível observar a significância desse debate do ponto de vista racional e lógico, duas características também infelizmente sequestradas e estupidamente submetidas ao papel de gênero.

Então vamos lá.
Acredito fortemente que todos nós moleques já ouvimos alguma vez, “Seja homem“, frase que geralmente precede ou uma atrocidade, ou alguma estupidez. Antes de jogar uma pedra num gato, ou antes de “chegar junto” numa menina, ou antes de quebrar uma janela. Apesar de hoje sabermos que a maioria esmagadora de papeis atribuídos a gênero são construções culturais, existe algo a se perceber: O culto ao “homem macho” é profundamente ligada à cultura da dessensibilização. À preservação de características que são essencialmente, ANTI-CIVILIZATÓRIAS.

Convenhamos, não há nada de bom em “Ser homem”, ao menos não em seu significado atual.

“Ser homem” significa ser capaz de reprimir sua empatia e tornar-se insensível para conseguir cometer atitudes invasivas, não só contra mulheres, mas contra outros homens e contra outras formas de vida. Implica em desumanizar, em objetificar e diminuir sua identificação com os indivíduos que o cercam. Ou seja, tentar ser homem é profundamente ligado com tentar ser individualista e tentar ser egoísta.

As palavras são traiçoeiras, e como nos “Ministérios” em “1984” de Orwell, chegam a ter significados opostos. Quanto mais “homem”, quanto mais “macho” você é, maior é a sua capacidade para ser de fato, DESUMANO, ou seja “menos homem” – Homem no sentido de ser humano.

Mas não pára por aí.
Alguns dirão “Ah, mas ser homem significa ser corajoso, ter bravura”, ignorando o fato de ser um tipo de cultura da estupidez e da impulsividade. É possível até ver nas caricaturas disponibilizadas pela cultura pop.
O Herói geralmente é o cara forte, e o vilão é o cara que pensa, o “gênio do mal“, como se pensar, planejar e antecipar fosse algo ruim. Dois coelhos com uma tacada só: Temos uma cultura gritando que o legal, o bacana não só é ser insensívelmente apático, mas também estupidamente impulsivo. Parece até que é a formação proposital de peões suicidas. (Opa, descobrimos o plano!)

Nesse momento, torna-se de extrema importância reforçar que não estamos afirmando essas características como ligadas à gênero. Pelo menos não como natural, mas algo artificialmente dividido entre macho e fêmea.
Mas notem com bastante atenção:
Se formos escrever um manual de instruções de “Como ser um Homem Machão“, e um manual de “Como ser Desumano e Insensível“, ambos vão coincidentemente conter as mesmas instruções.

Se nesse século 21, afirmamos estar buscando sermos mais Civilizados, mais Humanos, não faz o menor sentido a preservação do culto ao Macho, porque seu conteúdo envolve a preservação e celebração das piores características que um ser Social poderia querer preservar. É uma contradição antagônica, não tem como ser mais Macho e mais Humano ao mesmo tempo.

Então, parece não ser possível nesse momento o homem poder lutar no lugar da mulher, não seria possível protagonizar.
Porém, o grande presente que poderia ser dado à elas, é simplesmente parar de querer “Ser homem”, pelo menos até que essas palavras se renovem e assumam uma significância totalmente diferente.

No contexto atual, “Ser homem” é ser insensível, apático, e individualista, e não ter essas caraterísticas como um ser social, que quer participar de um mundo mais Civilizado, é motivo de vergonha, e não de orgulho. Então, vamos mudar isso.

Não Atire no Mensageiro ?!?

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“Não atire no mensageiro” – Costumava dizer o ditado.
 
Imagino que tenha surgido na antiguidade, em épocas de guerra, onde para a troca de mensagens entre militares era feita por indivíduos carregando telegramas lacrados.
Nesse caso, o trabalho do mensageiro realmente se limitava em levar a mensagem, direta, pessoal e privada, entre as altas patentes, inocentando-o de qualquer envolvimento com os eventos apresentados, assim como os eventos seguintes à apresentação da mensagem.
 
Em algum momento, o volume de mensagens iguais deve ter aumentado demais, e em algum momento, o Lacre que comprovada a autenticidade das mensagens perdeu a importância, e a partir daí começamos uma forma rudimentar de meio de comunicação em massa. Porém, por algum tropeço no meio do caminho, o ditado de “Não atire no mensageiro” foi preservado.
 
Um erro grosseiro.
As circunstâncias são outras, agora o mensageiro tem o poder de ler e alterar a mensagem antes de entregá-la.
E se forem os planos de alguém saquear sua cidade? “sem querer” o mensageiro pode perder a carta…
E se alguém pagar para o mensageiro contar por onde a carruagem de suprimentos vai passar?
E se alguém pagar o mensageiro para revelar o conteúdo de uma mensagem particular?
E se alguém pagar o mensageiro para adulterar o conteúdo de uma mensagem para favorecer um terceiro?
 
Rapidamente o mensageiro percebe o poder que tem.
É realmente o poder de parar guerras, engrandecer ou destruir pessoas.
 
E uma mensagem que definitivamente NUNCA seria vista, passaria a ser “Não confie nos mensageiros.”
 
Essa é a realidade da grande imprensa moderna.
Ainda declarando descaradamente que é apenas a mensageira, porém com o total poder sobre o conteúdo a ser divulgado, quando quiser, como quiser, e SE quiser.
E claro, um poder que está sempre à venda.
 
No dia de hoje, inevitável falar do caso do Ex-Presidente Lula.
E não, não é em defesa do mesmo.
Que haja investigação, e se existir alguma comprovação de lucro ilícito, que haja uma punição proporcional.
 
Porém, indepedente de sua ideologia, independente de você gostar PT, de PSDB, ou de nenhum dos dois, depois de hoje, as evidências estão escancaradas.
A grande imprensa NÃO é sua amiga.
E também não se aplica o ditado do “Inimigo do meu inimigo é meu amigo”, porque a declaração das posições não é de grande imprensa + você contra os políticos.
É a grande imprensa contra você, usando os políticos de laranja.
E não, não é a negação de que existem políticos corruptos, e nem a afirmação que esse modelo de democracia é perfeito.
Porém, quem cria a generalização, é o mensageiro.
De tanto repetirem que só há corrupção e que não há esperança na política, evitamos de nos misturar.
E poder não se preenche com vácuo. O resultado disso é esse espaço ocupado por Gângsters sem escrúpulos como o Eduardo Cunha.
 
Então, não é o “Pedalinho do Lula” contra o “Triplex dos Marinho”.
É o “Pedalinho do Lula” contra o “Triplex do Marinho, da sonegação milionária da Globo, da Pescaria Ilegal do Bolsonaro, do Terreno Ilegal do Luciano Huck, do Aeroporto e da Cocaína do Aécio, das contas na Suiça do Eduardo Cunha, e das privatizações manipuladas do governo FHC. “
 
Esqueçam que o Lula é o Lula por um instante.
Um pedalinho de 2 mil reais precisa de mais tempo de cobertura midiática do que todos esses casos MILIONÁRIOS ao mesmo tempo?
NãO merece, mas teve. Não é uma especulação, já aconteceu. Se somar o tempo de cobertura de todos os citados, dá menos do que o anterior.
Isso não é jornalismo, é um partido. Com intenções, planos e interesses particulares.
 
Como diria o mestre George Carlin…
“Eles não se importam com você, eles não se importam com você, ELES NÃO LIGAM PRA VOCÊ! Não ligam nada.”
 
Então sim.
Atire no mensageiro. (Figuradamente, claro)
Mas não coloque outro no lugar, porque todo mensageiro é suscetível a corrupção e à coerção.
Queira ouvir de 20 ou 30 mensageiros, e chegue às suas próprias conclusões.
Não é trabalho demais, e é necessário.
É poder demais nas mãos de poucos. Não é à toa que o assunto mais evitado e abafado de todos é a democratização e regulação financeira da imprensa.

 
Não sou muito de acordo com esse ditado, mas vivem dizendo por aí que não existe almoço grátis.
Então está aí. O preço da Democracia é manter-se permanentemente Vigilante.
E não dá pra terceirizar.
É a era da informação, honre-a.